
O zine #5 do Ao Ataque, vem trazendo textos sobre violência contra a mulher, e dois textos extras de Kátia (Salvador-BA) falando sobre Wendo.
Quem se interessar, só pedir!!

*Imagem tirada da capa do jornal O MossoroenseEditorial
Um relatório realizado em 2008 pela Anistia Internacional demonstrou que pelo menos 23 países no mundo possuem em sua constituição leis que discriminam as mulheres. Este mesmo relatório demonstrou que em outros países a discriminação não se faz pelas leis, mas está, sim, impregnada no dia-a-dia. Tal estudo revelou também que, no Egito, no segundo semestre do ano passado (2007), pelo menos 250 mulheres foram mortas por maridos ou alguns familiares violentos, e em média, pelo menos 2 mulheres eram estupradas a cada hora. Mas, facilmente se pode pensar: “Isso acontece no Egito, muito longe daqui”. Porém, a realidade é outra. Ou melhor, ela é a mesma aqui no Brasil também, como em muitos outros países, inclusive na América Latina. Justamente agora, no primeiro semestre de 2008, a Anistia Internacional levantou várias críticas à violência sexista nos países latino-americanos, dizendo que apesar do México e Venezuela terem aprovado leis para combater a violência de gênero e o Brasil, através das delegacias da mulher e da Lei Maria da Penha, oferecer uma estrutura mais abrangente de proteção às mulheres, segundo o estudo falta a esses países mais eficiência na aplicação de recursos e no entendimento da natureza e extensão do problema.
E no Brasil, assim como em outros países, os agressores, em sua maioria, são pessoas muito próximas das vítimas, e os números são extremamente alarmantes: 100 mil mulheres são vítimas de violência por ano no Brasil, mas apenas 10% delas denunciam seus agressores.
O que podemos concluir então, de tudo isso??? Bom, no mínimo, podemos pensar que, na África, nas Américas, na Ásia-Pacífico, na Europa e na Ásia Central, no Oriente Médio e no Norte da África, não importa o lugar, a violência sexista (ou a ameaça dela) é uma realidade constante, que atormenta a vida de meninas e mulheres no mundo inteiro.
Essa violência é o resultado direto de uma discriminação de gênero endêmica perpetuada por instituições sociais e políticas, fazendo com que as mulheres sofram com ela de forma desproporcional, e independente de qualquer situação, seja em tempos de guerra ou de paz, a família e o Estado são sempre cúmplices assíduos desse absurdo.
A violência sexista está em todas as classes, sendo que a mulher mais atingida pela pobreza é mais vulnerável à situações abusivas, pois tem muito mais dificuldades em obter proteção ou acesso ao sistema de justiça criminal.
É justamente por este motivo que estamos aqui, agora, no nosso 5º número, tentando mostrar para o máximo de mulheres possível, o quão é necessário reagir, se mostrar capaz, não ter medo, se sentir igual... É extremamente necessário se enxergar como um ser humano igual a qualquer outro independente do sexo, e que quem ama, não maltrata e nem bate... Queremos mostrar que a auto estima é fundamental; que saber que ninguém tem poder sobre você e sua vida é de suma importância para a preservação de algo mais precioso do que qualquer outra coisa: a liberdade. Liberdade de falar, de sair, de andar, de lutar, de viver... Estamos tentando dizer que NÓS PODEMOS, que somos capazes, que TEMOS FORÇA... E que só precisamos descobrir ela, pois nossa força está lá, dentro de nós, esperando ser liberada... Vamos!!! Vamos lá!! Lutar como garotas!!!!
CONHEÇA SUA FORÇA!!!!
Coletivo Ao Ataque.